Blog do Paúl divulga





Associação Paul Cultural Desportivo (APCD).
Convido-vos a visitar o blog INFORPAULENSE e compartilhar do excelente trabalho sobre a dinâmica da actual Direcção da Associação.
Parabéns e grandes êxitos. NOTA DEZ á nova equipe que "ressuscitou" a Associação.
O PAUL AGRADECE.
Saudações Paulenses
Contra a privatização das águas...
...foi criado um blog onde é possível encontrar um abaixo assinado online contra a venda de 49% das Águas da Covilhã.Em http://www.aguapublicacovilha.blogspot.com/
QUÊM É VIRGILIO VAZ?
e quem confrontado com o pedido de uma opinião isenta e própria, fica sem qualquer reacção.”O MUNDO A DISTANCIA DE UM CLIC.
Tendo em consideração a mais valia existente da Internet na Sede da Junta de Freguesia, custa-me aceitar que esta não seja explorada na sua real dimensão e sirva convenientemente os interesses da Comunidade.
Entre outras mais valias que podem ser postas ao dispor da comunidade, talvez a mais importante seja a comunicação com toda a Comunidade Emigrada.
A título de exemplo agradeço que acompanhem o meu raciocínio e usufruir na máxima capacidade imagem e som deste serviço:
1 - Já existem computadores, devidamente equipados.
2 - Necessário adquirir uma câmara que custa cerca de 40/50,00€, para obter imagem, consultar (www.worten.pt) por exemplo.
3 - Necessário adquirir um micro ou auscultadores que custam cerca de 5,00€ ou 20,00€ no segundo caso para não usar o aparelho fixo de telefone, consultar (www.worten.pt) por exemplo.
4 - Visitar a pagina (www.voipdiscount.com) ou outra, fazer o respectivo Download , registar-se e a partir deste momento pode ligar-se a qualquer ponto do mundo telefonicamente, via computador ou ambas por um preço simbólico.
Nota: Os carregamentos obrigatórios são de 10.00€ e têm uma validade de 120 dias. A titulo de exemplo uma chamada de 2 horas para o Brasil custa cerca de 0,20€ (isso mesmo vinte cêntimos). Isto tambem pode ser feito em nossa casa ou empresa.
Portanto se temos as infra-estruturas porque motivo não são exploradas convenientemente? Quantas famílias não irão usufruir desta mais valia e encurtar distancias? Hoje qualquer associação, família ou outrem têm acesso imediato a este serviço. Sera difícil pô-lo a funcionar no Paul já que nem é necessário criar mais infra-estruturas?
Com isto não pretendo fazer qualquer tipo de julgamento ou critica a Junta de Freguesia, apenas e tão só sensibilizar para o que temos e não usufruímos convenientemente, na minha modesta opinião. Certamente outras mais valias podem estar sub-aproveitadas.
Fica a reflexão.
Saudações Paulenses
Em www.paulvitorreissilva.blogspot.com encontrei o seguinte comentário que me parece pertinente e digno de partilha.
Se o mestre Gil Vicente fosse vivo, com a sua crítica mordaz ao poder estabelecido, iría preso no tempo do fascismo e agora iría para a barra do tribunal para pagar qualquer indemnização a quem se achou ofendido?
Existem semelhanças no comportamento de quem está no poder já que demonstra não saber viver com a critica real e, também, com a ficcionada.
Aqui fica para consulta, leitura e juízo de cada umhttp://www.covilhas.blogspot.com/
Parece que o Sr Carlos Pinto ensandeceu, concerteza. Só está a dar mais relevo a um blogue que já estava inactivo.

O Tribunal da Covilhã começou, esta quarta-feira, a julgar uma queixa-crime por difamação, calúnia e injúria movida pelo presidente da câmara local, Carlos Pinto, contra o alegado autor de um blogue na Internet.
Indiciado pelo Ministério Público como autor do blog "Chicken Charles - o anti-herói", em http://covilhas.blogspot.com, está David Duarte, de 29 anos, desenhador e residente na vila da Boidobra, junto à cidade, e que nega ser o autor do blogue.
Na sessão, o autarca declarou que os artigos publicados são a maior ofensa de que foi alvo em 20 anos de vida pública. «Quem não se sente, não é filho de boa gente» referiu o edil, ao justificar a acção judicial que moveu.
Abaixo-assinado contra venda da empresa municipal de águas
CovilhãDocumento já tem cem signatários e foi apresentado ontem. Os promotores gostariam de o entregar na autarquia até 4 de Dezembro
Um grupo de cidadãos da Covilhã exigiu ontem o “fim imediato” do processo de privatização da empresa Águas da Covilhã (AdC) apresentando os primeiros cem signatários de um abaixo-assinado que será entregue à autarquia. “A água é de todos! Não é um negócio só de alguns”, referem os subscritores do documento que será posto a circular em juntas de freguesia, escolas, estabelecimentos comerciais e fábricas.“O abaixo-assinado é a melhor forma de mostrar à Câmara a indignação dos covilhanenses”, disse Abel Pereira, professor do ensino secundário e primeiro subscritor do documento que contesta a venda de 49 por cento do capital da AdC. “Prosseguindo a política de venda dos recursos públicos e património municipal o presidente da Câmara e a maioria PSD que o apoiam preparam um passo gigantesco para a privatização da água”, lê-se no texto do abaixo-assinado.“Não há nenhuma razão, a não ser a ânsia de arrecadar alguns milhões de euros de imediato, que justifique a privatização da água”, acrescenta o documento. Apesar da autarquia manter 51 por cento do capital da empresa, no caso da alienação avançar, “a venda de 49 por cento não garante que o controle permaneça sob a responsabilidade municipal”, alertam os subscritores do documento. “Os custos ficam no sector público e os lucros vão para os investidores privados deixando de ser reinvestidos”, acrescentam. O primeiro passo para a venda do capital da empresa AdC foi dado no dia 18 com a apreciação da documentação entregue por cinco consórcios concorrentes que terão de apresentar até 4 de Dezembro o plano estratégico e proposta de preço para aquisição de parte da empresa.“Seria bom que até 4 de Dezembro tivéssemos reunido um número muito significativo de assinaturas que demonstrassem o descontentamento da população”, disse Abel Pereira, sem precisar que números pretendem ser atingidos e quando tencionam entregar o documento na autarquia. “Não temos uma data para isso”, disse Abel Pereira rejeitando que a iniciativa tenha qualquer conotação partidária, embora uma parte significativa dos subscritores esteja ligado directa ou indirectamente ao PCP: “Eu não tenho nenhuma ligação partidária”, referiu Abel pereira afirmando que “os movimentos cívicos integram cidadãos que podem ou não ter ligações partidárias. O mais importante não são os partidos, mas as pessoas e aquilo que defendem”, concluiu.
Comunistas entre os primeiros cem subscritores O presidente da União de Sindicatos de Castelo Branco, Luís Garra, e o líder da CDU na Assembleia Municipal da Covilhã, Jorge Fael, integram o grupo dos primeiros cem signatários do abaixo-assinado. Entre os subscritores encontram-se ainda Carlos Gil, deputado da CDU na Assembleia Municipal da Covilhã, Aníbal Cabral, presidente da Associação Florestal da Beira Interior, recentemente criada, Dulce Pinheiro do Sindicato de Professores da Região Centro e Armando Morais, actual coordenador do Centro de Trabalho do PCP, na Guarda. Da lista, faz ainda parte o arquitecto Hélder Pereira, antigo militante da secção do PS na Covilhã e que, nos últimos anos, tem surgido em várias iniciativas da CDU.
Diário XXI 07 de Nov. 06
O Hermínio
Dívidas.
Quando o Pinto entrou para a Câmara - 1º mandato (1990) a dívida da Câmara era de 800 mil contos à EDP. O Pombo recebeu uma dívida de 3 milhões.
O Pinto recebeu a dívida de três milhões (1998) e já vai em 18 milhões.
Se se somar a receita anual (cerca de 5 milhões de contos, em média) o Pinto utilizou 58 milhões de contos. Onde estão?
É Obra!
Não é de admirar que apareça, na lista nacional, como a 3ª Câmara mais endividada, sem capacidade financeira.
Por isso, pretende vender a àgua, de todos nós.
Venda o seu (dele) património, olha o malandro.
Um Paulense a descobrir por todos nós.
Afinal de contas o Paul também tem "gente ilustre". Após alguma pesquisa descobri que a Srª Glória, do Café Central, é irmã deste escritor.
José Antunes Marmelo e Silva nasceu a 7 de Maio de 1911 em Paul, Beira Baixa.
Estudou no Seminário do Fundão e em escolas secundárias de Covilhã e de Castelo Branco. Frequentou a Universidade de Coimbra mas, devido à publicação de Sedução, teve de concluir a licenciatura (em Filologia Clássica) na Faculdade de Letras de Lisboa onde apresentou uma tese sobre Virgílio � Um sonho de paz bimilenário: a poesia de Virgílio. Colaborou no semanário lisboeta O Diabo, com o pseudónimo Eduardo Moreno, e na revista presença, de Coimbra, cidade em que conviveu com o grupo neo-realista. Prestou serviço militar em Mafra e na Madeira. Fixou residência em Espinho (onde leccionou na Escola Secundária) até à data da sua morte, em 11 de Outubro de 1991. Foi agraciado, em 1987, com a medalha de ouro da cidade de Espinho. Com o grau de Comendador da Ordem de Mérito, foi condecorado pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares, em 1988.
Outras ligações sobre o autor:
José Marmelo e Silva novelista: 50 anos depois
OBRAS:
O Homem que Abjurou a Sociedade � Crónicas do Amor e do Tempo, O Raio, 1932 (Renegado).
Sedução, 1� edição, Coimbra, Livraria Portugália, 1937; 2� edição, Porto, Portugália, 1948; 3� edição, Lisboa, Estúdios Cor, 1960; 4� edição, Lisboa, Editora Ulisseia, 1972, ("com um ensaio histórico-analítico "de Arnaldo Saraiva); 5� edição, Lisboa, Editorial Caminho, 1989 (com um ensaio de Arnaldo Saraiva publicado a primeira vez na 4� edição).
Depoimento, 1� edição, "Presença", n�. 1, série II, Novembro de 1939; 2� edição, in Os Melhores Contos Portugueses, Porto, Portugália; 3�edição, in O Sonho e a Aventura, Coimbra, Atlântida, 1943; 4� Edição, Lisboa, Col. Mosaico, s.d. 5� edição, in Os Mais Belos Contos de Amor da Literatura Portuguesa, 1967
O Sonho e a Aventura, 1� edição, Coimbra, Atlântida, 1943, (contos Narrativa Bárbara, Depoimento, O Conto de João Baião); 2� edição, Lisboa, Editora Ulisseia, 1965, (contos Narrativa Bárbara, Depoimento, Ladrão!)
Adolescente, 1� edição, Coimbra, Portugália, 1948; Adolescente Agrilhoado 2�. Edição (acrescentada), Lisboa, Arcádia 1958; 3� edição, Lisboa, Editora Ulisseia, 1967; 4� edição, Lisboa, Editorial Caminho, 1986, (com prefácio de Maria Alzira Seixo) � retirada do mercado; 4�/5� edição, Lisboa , Editorial Caminho, 1986.
O Ser e o Ter seguido de Anquilose, Lisboa, Editorial Ulisseia, 1968 (a primeira versão de O Ser e o Ter é O Conto de João Baião).
O Ser e o Ter, Lisboa, Editora Ulisseia, 1973
Anquilose, Lisboa, Editora Ulisseia, 1971
Desnudez Uivante, Porto, Limiar, 1983
PROGRAMAS NA RTP SOBRE JOSÉ MARMELO E SILVA:
"O Livro à Procura do Leitor", de Manuel Poppe, 22 de Fevereiro de 1972; "A Ideia e a Imagem", de Álvaro Manuel Machado, 27 de Junho de 1978; "O Homem é um Mundo", texto de Rogério Rodrigues, realização de Leonel Brito.
JOSÉ MARMELO E SILVA O LIBERTADOR DO AMOR
Urbano Tavares Rodrigues
Com o mesmo projecto político dos escritores neo-realistas, que inicialmente acompanhou, José Marmelo e Silva foi, entre eles, desde Sedução, novela publicada no final dos anos trinta, uma irrefreável afirmação de subjectividade. É a força do desejo, filtrada pelas palavras, a par da observação aguda e inclemente do meio, que lhe permite estruturar personagens que ainda hoje comunicam com o leitor e nele se concretizam, se prolongam.
O gineceu conimbricence transposto para a aldeia vibra de uma sensualidade reprimida, que se atraiçoa na atmosfera hipócrita do apogeu fascista, o início da Guerra de Espanha. Eduardo é o jovem fauno castrado pelo irmão, sôfrego do prazer que à sua volta, rodeado de mulheres, não encontra.
E novamente o desejo, a tentação, o despertar do desejo, palpita nas páginas tão belas de Adolescente Agrilhoado, o grande, o insuportável romance da adolescência da década de quarenta em Portugal, obra sensível onde se nos mostra já com um certo toque mágico e mítico, o mundo áspero dos pobres e o seu trabalho, as suas superstições, febres, amarguras do crescer no seio da família e do microcosmo rural. Os caminhos que se abrem e se fecham para um jovem intelectual de origem camponesa.
A libertação do sexo processa-se na narrativa que paradoxalmente se chama Anquilose e que é de explosão, irónico, cáustico e ao mesmo tempo triunfal, um texto que nos dá conta de amores vários, vividos em euforia, em exaltação juvenil, e que se torna sátira social e política e seria mesmo panfleto revolucionário se o humor permanente, ao nível do acontecer e ao nível da escrita, não corrigisse o entusiasmo, a vibração com que por vezes os ideais socialistas neles se expressam.
O Ser e o Ter, O Sonho e a Aventura, Desnudez Uivante, onde o hiper-realismo quase toca o fantástico, são noutros cenários, noutros tempos, exemplos do mesmo acto de escrever, do mesmo cântico à via, ao amor e à esperança.
In Letras & Letras, 5/3/89
O SAGRADO E O CÓSMICO
Baptista-Bastos
Sedução tem meio século. Releio (quantas vezes reli?) essa ficção pausada e lenta, terna e amena, áspera e dilacerante que José Marmelo e Silva redigiu (compôs), e que deixou de lhe pertencer em sistema de exclusividade porque faz parte do território colectivo (selectivo) onde se ordenam as grandes obras-primas da literatura portuguesa de sempre.
Obra-prima, repito. Porque convida a aprender a universalidade da alegoria, para além da diversidade das alegorias. Porque é a obra de um autor; e um autor é sempre alguém que possui uma voz própria, inimitável, que não deixa discípulos e só lega situações epigonais; porque tange em sentimentos e situações extremas conservando um intenso respeito e uma profunda discrição; porque a estrutura verbal de que se serve teria de ser, necessariamente, aquela � nunca outra.
A obra deste escritor discreto, relator ficto do corpo, o corpo entendido como liberdade ou como experiência do sagrado � obra deste escritor maior possui algo de religioso, de valores e de implicações cósmicas, e nela avulta esse profunda relação causal entre a matriz e o crescimento, entre amor e morte, entre Eros e Thanatos. As analogias existentes entre o acto de escrever e a humilde coragem de publicar reverte� -nos para a exploração (para a interpretação e para a leitura) de que a obra-de-arte (esta obra-de-arte) pretende a incorporação no divino. Nada, em Sedução; nada em O Adolescente Agrilhoado, por exemplo, nos pode levar a afirmar que o seu autor acredita em seres antropomórficos, em deuses. Mas tudo nos leva a crer que José Marmelo e Silva admite o território do sagrado, as áreas do mito, os distritos onde se antagonizam céu e inferno. Todavia, mesmo aí, José Marmelo e Silva manifesta um reiterado pudor. O pudor que implica a rejeição da linguagem denotativa, afirmativa, exclamativa e peremptória. O sentido transitório da existência conduz-nos à reflexão sobre a transcendência. Se, como pretendia Artaud, quando se escreve refazemo-nos, para nos desfazer, José Marmelo e Silva escreve para atingir a consciência do infinito, do absoluto � metas privilegiadas de todo o grande autor.
Respeito, amo e admiro as novelas deste homem singular, até pela singularidade (raríssima entre nós) do seu propósito e do seu majestoso empreendimento literário. Um grande escritor, como José Marmelo e Silva, não é medível. Pode, talvez, ser mensurável, através da sua própria desmesura. E como nele não há excesso (excesso de palavras, excesso na composição, excesso nesse equilíbrio entre o antigo e o moderno) eis porque, sem estratégias de glória, sem tácticas imediatas, e precárias porque efémeras, de marquetingue � eis porque é um clássico e, a um tempo, um contemporâneo.
In O Diário, 23/5/87
REFERÊNCIAS CRÍTICAS À OBRA DE JOSÉ MARMELO E SILVA
Sedução decorre num ambiente misto de realidade fortemente expressa em dedadas brutais que desnudam, e de irrealidade, daquela irrealidade com que se oferece o desenvolvimento de certas obsessões que parecem aspirar toda a demais experiência, fazê-la participar da obsessão. E há depois o originalíssimo estilo em que uma constante ironia impede, corta, destrói as insinuações sentimentais. A conjunção destas qualidades dá à novela um sabor muito original e uma densidade que é precisamente o mais invulgar em novelas portuguesas, que pecam, quase sempre, por uma unilateralidade, por uma pobreza de meios de expressão, que não são do que menos contribui para a falta de interesse que despertam.
Adolfo Casais Monteiro
Se Fialho de Almeida era erótico, era-o entes de mais em função da avalancha verbal, que o impedia de uma visão social lúcida. Se Teixeira Gomes era erótico, o seu erotismo ficou empequenecido pelo rigor miniatural da sua prosa, que se compraz no apontamento mundano, na fantasia memorialística. Já Marmelo e Silva, com ser erótico, é fundamentalmente socialista e as personagens das suas novelas, nomeadamente de Sedução, desdobram-se em todas as dimensões humanas, nascidas de um estilo terso e inconsútil, sempre dominado.
Álvaro Manuel Machado
Wilhelm Reich, que criou a célebre associação S.E.X.P.O.L em 1939, dois anos depois da publicação de Sedução, teria sem dúvida gostado de ler esta novela de Marmelo e Silva. E se nos fins da década de trinta surgiu em Portugal um movimento literário neo-realista, e se esse movimento quis levar conscientemente, expressamente, a literatura para fora dela mesma, então teremos que considerar Sedução como a primeira obra autêntica ( e de qualidade) incorporável nesse movimento. Justamente por aquilo que terá levado alguns a excluí-la (para lá, bem entendido, das batalhas pela camisola amarela): a descrição (e subtileza) com que a realidade social nela é nomeada, que é também garantia da força anti-demagógica com que ela é sugerida, e desvelada nas suas máscaras psicológicas e sexuais.
Arnaldo Saraiva
Ainda hoje, não obstante todos os anos decorridos, Sedução continua a ser um livro de combate, um livro indisciplinador. Não pela escabrosidade do tema � aliás tratado com uma delicadeza e uma finura inexcedíveis, quando tão fácil (e tão comercial...) era ceder à tentação do obsceno -, mas pelo carácter insólito da análise, que progride por pequenas deslocações laterais, por iluminação de planos sucessivos, e não, como é corrente, por um mergulho vertical, pela sobrecarga de minúcias psicológicas que, habitualmente, fazem da personagem literária um monstro, inviável fora das páginas do livro. E o estilo? O maior bem que dele se pode dizer é que outro não serviria melhor o Autor. Ao mesmo tempo usual e castigada, a sua linguagem parece ter sido decantada de maneira algo bizarra: aceitando muito do que se exclui, excluindo muito do que se aceita, o resultado final é um estilo que não tem similar em Portugal.
José Saramago
Não é assim por acaso, mas a poder de mestria, contenção, alternância de planos, insurreição e recriação mítica, identificação do tema com a experiência, integração do saber herdado no plano temporal duma estética em devir, adequação da obra criada nos limites intuídos e consciencializados do autor, que Adolescente Agrilhoado é não só uma das obras-primas da nossa literatura, mas o mais belo romance da adolescência que até agora se escreveu entre nós.
Mário Sacramento
O autor de Sedução, O Sonho e a Aventura e Adolescente Agrilhoado é um ímpar na corrente neo-realista, pois representa o pólo (ou o contaste) psicologista da mesma, ou seja, pôs o acento tónico na reacção individual às estruturas sociais mais do que levantou o inventário "objectivo "das mesmas. Essa singularidade aumenta o seu valor histórico, se bem que terá determinado um conflito latente, oculto, entre Marmelo e Silva e a sua geração.
Também pelo cuidado, o entusiasmo, com que trabalhou a prosa, afeiçoando-a ao intimismo que tomou por objectivo detectar, Marmelo e Silva se distinguiu com vantagem da maioria dos escritores da sua geração, sendo daqueles �ao lado de um Manuel da Fonseca e um Carlos de Oliveira � que mais se preocupam com a qualidade da escrita.
Nuno Teixeira Neves
Verdadeiro esteta, não se embriaga contudo com o maravilhoso das palavras. Por detrás de cada frase está presente o escritor lúcido, o homem atento ao mundo que o rodeia, o contador excelente de histórias sabendo perfeitamente a grandeza e a função daquilo que se conta. E isto torna, talvez, José Marmelo e Silva um escritor ímpar entre nós. Não conheço, com efeito, quem tenha sabido unir de forma tão perfeita o estilo e a temática.

Há alguém que possa ajudar a Carla?
Recebi este pedido de auxilio de uma leitora do blog no meu mail. Caso haja alguém que a possa ajudar, ficaríamos todo gratos. Não custa nada...
"olá asno, o meu nome é carla OLIVEIRA, sou neta de um oliveira do paúl. sou de lisboa. a minha avó, já falecida, é "alves gaspar" mais conhecidos por "lanterna". a familia oliveira é a que me suscita mais curiosidade porque não conheço nenhum membro e o meu avô já faleceu. Os "lanterna" conheço alguns embora não os veja à muito tempo. fico à espera de notícias. obrigada pela disponibilidade e parabéns pelo blog. carla oliveira"
Boa sorte Carla!
Corrigenda
Após terem sido levantadas algumas dúvidas em relação à fiabilidade deste post, consultei novas fontes e verifiquei que (apesar de não muito relevante sem se conhecer a verdadeira posição dos eleitos mais absentistas), alguns presidentes mais despreocupados com a defesa dos interesses da sua Freguesia, faltaram à Assembleia Municipal. Parece que não é só na Assembleia da República, pelos vistos a crise da balda é geral.
E mais digo, que em nome da verdade, sempre, dar-me-ei ao trabalho de tentar ter acesso à acta dessa assembleia, dissipando desta forma todas as duvidas, minhas e dos mais cépticos.
Contudo , penso que quem sabe mais acerca do assunto e já fez desmentidos a este post, inclusive eu, tem o dever morar de esclarecer a povoação, caso contrário é conivente e cúmplice da alienação da água e da desinformação do povo.
Desta forma a informação dada anteriormente, da forma em que fui induzido em erro, pelo qual apresento a minhas desculpas ao humilde povo do sobral e faço questão de corrigir, passa a ter a seguinte redacção:
"Exceptuando o Srs. Presidentes de Junta de Boidobra e Erada que votaram contra a alienação das águas, juntamente com a eleita directa do CDS à Câmara, em assembleia municipal, todos os restantes Presidentes de Junta Presentes e cumpridores dos deveres que lhe foram incumbidos nas ultimas autárquicas, votaram a favoravelmente à venda das águas.
E você?
É contra?
É a favor?
Tem batido com a cabeça?
Tem-se embriagado ultimamente?
Lembra-se de ter assinado alguma procuração com o fim de dar ou tirar legitimidade ao seu presidente de Junta para vender um bem que lhe pertence a si e a todos nós?
Debrucemo-nos sobre os comentários do Egas a este post.
Dá que pensar não dá?
O assunto terá de regressar à Assembleia municipal, não está tudo perdido!
Diga de sua justiça, pelo menos aqui! Exija ser consultado e esclarecido, é um direito seu. Quem você elege tem a obrigação de lhe facultar toda a informação acerca desta importantíssima temática, não de agir unilateralmente.
INFORME-SE!"
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