"Blogs em sintonia"


Colaboração interblogs.

Foi com agrado que recebi cópia do texto publicado no blog “Paul Activo” referente ao trabalho que está a ser desenvolvido com “os miúdos” da nossa terra, o qual aconselho a ler.

Se num passado muito recente se tinha iniciado noutra Associação este trabalho e inexplicavelmente terminou, hoje contactamos uma realidade á qual já não podemos ser alheios. Este texto tem ainda a mais valia de expressar de forma clara os objectivos desta equipe em termos de futuro, e o esforço para travar a inércia da juventude de hoje, “camuflado” por hábito e vícios inerentes aos nossos dias.

Após uma leitura atenta do texto do "Inforpaulense" e este, concluo e passo a citar:

“Importa referir que tem havido um apoio significativo de diversos empresários locais e entidades, nomeadamente: Junta de Freguesia do Paul e Escola EB 2, 3 do Paul”.

“Apelar a todos os sócios a colaboração para regularizarem as quotas.”

“Seria muito positivo e gratificante que todos comparecessem no Campo da Reboleirada, pelo menos, nos dias de jogo com o intuito de apoiar os jovens (todos eles) paulenses.”

Pela negativa:

“A Câmara Municipal da Covilhã, até ao presente momento não deu qualquer contrapartida pela utilização do campo de futebol pelo Futebol Clube Estrela de Unhais da Serra, nem tão pouco qualquer apoio às nossas actividades”.

A Associação tem um grande espírito de INICIATIVA não se “sentando” a espera do “subsídio” e compete-nos a nos Paulenses, colaborar de acordo com as suas solicitações. Que este comportamento não seja motivo de critica, mas sim de exemplo a seguir.

Bons êxitos e PARABENS.

Saudações Paulenses.

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"Agradecimento a Junta de Freguesia".

Aquando da postagem de “ Uma agradabilíssima surpresa”, fiz alusão á possível intervenção da Junta de Freguesia na construção dessa página. Posteriormente e por e-mail questionei a Junta sobre este assunto que me elucidou, na pessoa da Sra. Presidente, ser da sua responsabilidade.

De sublinhar que esta iniciativa se enquadra fora de qualquer tipo de protagonismos, mas apenas contribuir na divulgação da nossa freguesia.

Agradeço a sua resposta e fico sensibilizado pela iniciativa.

Os meus mais respeitosos cumprimentos.

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"FILHOS E ENTEADOS"

A alegria de uns é a agonia de outros. Este é o preço do progresso!

A mudança de hábitos e mentalidades de toda uma região começa por factos tão simples como abertura de um centro comercial.

Se na cidade da Covilhã já tínhamos assistido a abertura de outros espaços idênticos, possivelmente não estávamos minimamente sensibilizados para o grau de profissionalismo e o impacto deste novo espaço. A verdade quer queiramos quer não os nossos hábitos estão a ser adulterados e a oferta ultrapassa toda e qualquer reste-a de bairrismo ou afim que possamos guardar.

Toda esta mudança não se cinge tão só aos Covilhanenses. Começa pelo grupo de amigos que decide ir ao cinema e aproveita para usufruir da praça de alimentação em detrimento de um dos restaurantes do Paul ou da sua área residencial. O Sr. “X” que precisa de uma qualquer artigo de bricolage, electrodoméstico, etc.., acaba por ser pressionado quer pelos filhos quer pela esposa para um passeio informal, á capital do consumismo onde todo um marketing consumista e extremamente bem organizado, dia a dia impele a uma procura neste espaço dos artigos necessários em detrimento não só do comercio tradicional na Covilhã como em todas as Vilas e Aldeias do Concelho.

De forma alguma pretendo criticar ou denegrir o comportamento quer do espaço comercial quer do comprador, livre de escolher e procurar onde muito bem entender.

Este preâmbulo apenas e tão só pretende ser um exemplo concreto para sensibilizar o leitor, a fazer uma análise do impacto que todo este tipo de estruturas ira num futuro muito próximo ser uma realidade no nosso dia a dia. Qual o futuro da piscina da Erada e do Barco quando abrir no próximo ano a super piscina da Covilhã? Qual o futuro dos comerciantes, restaurantes etc. etc. da nossa terra quando abrir o Hotel de Unhais?

Meras acções pontuais como a animação da Rua Direita na quadra natalícia é pura cosmética, que a chuva e o vento se ocupa de fazer esquecer. E o resto do Ano? Este exemplo e desculpem o meu pretensiosismo, apenas e uma vez mais serve para sensibilizar toda a comunidade para que não estamos a fazer rigorosamente nada para precaver uma realidade que esta a chegar. Deixemo-nos de “tricas e dicas” e apelo a quem pode e deve que tenha a simplicidade de discutir de forma directa e clara, quais as medidas que estão a ser tomadas em prólogo do Paul, se é que estão a ser.

Nos Paulenses obrigatoriamente devemos começar a pensar seriamente no futuro dos nossos filhos e da nossa Terra, porem de forma idónea e comunitária. A inércia e o aguardar são exactamente as armas mais apetecíveis aos outros, que por seu lado “lutam” com a poderosa arma chamada INICIATIVA.

Desculpem a ousadia de partilhar com todos as minhas preocupações futuras, mas como diz o ditado “casa roubada, trancas a porta.” Percam um minuto, façam uma reflexão, O PAUL AGRADECE.

Saudações Paulenses

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Blog do Paúl divulga

E agora o cartaz da exposição de artesanato que a CPC irá promover no mesmo fim de semana da Rota dos Ganhões na sua sede. Venham visitar!!!


E aqui o cartaz da Rota dos Ganhões. Ajudem a CPC, ajudem Casegas, participem!!!


Inscrições na sede da CPC, pelo e-mail casegasourondo@portugalmail.pt ou através do número 938524865.

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Vila do Paul no Sapo.

Uma foto vale mil palavras.

Foi criado no Sapo uma página de fotos inerentes ao Paul, que já pode visitar.

Esta página pretende, alem da divulgação da Vila do Paul, ser um desafio a todos os Paulenses.

Pretende-se a colaboração de todos com o envio de fotos para o meu E-mail para posterior publicação na página. Estas fotos podem ser anónimas ou não ficando ao critério de cada um o modo de o fazer.

Todas as fotos serão publicadas excepto se não tiverem qualidade para o efeito.

Está lançado o pedido de colaboração, vamos aguardar.

Saudações Paulenses.

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APCD, "VAMOS TIRAR O CHAPÉU"


Associação Paul Cultural Desportivo (APCD).

Convido-vos a visitar o blog INFORPAULENSE e compartilhar do excelente trabalho sobre a dinâmica da actual Direcção da Associação.

Parabéns e grandes êxitos. NOTA DEZ á nova equipe que "ressuscitou" a Associação.

O PAUL AGRADECE.

Saudações Paulenses

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ASSINE - CONTRA A PRIVATIZAÇÃO DAS ÁGUAS

Contra a privatização das águas...
...foi criado um blog onde é possível encontrar um abaixo assinado online contra a venda de 49% das Águas da Covilhã.Em http://www.aguapublicacovilha.blogspot.com/

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«Uma Pintura Vivaz»

Ainda esta a tempo de dignificar a selecção e presença do pintor Paulense Virgílio Vaz nos 25 anos do Festival de Teatro da Covilhã, onde esta patente uma exposição denominada «Uma Pintura Vivaz».

Afinal sempre temos “gente” de valor na nossa terra! Será que sabemos apreciar e dar valor a estes valores culturais?

Parabéns.

Saudações Paulenses

PS. + em Jornal "Sol"

QUÊM É VIRGILIO VAZ?

Filho de um GNR, que chegou ao Paul em 1953. Com ele ia a minha mãe e eu, com 1 ano de idade. Muito triste, saí do Paul com 17 anos de idade, primeiro para estudar no Liceu da Covilhã e mais tarde na Faculdade de Medicina de Lisboa.

Por cá fiquei, médico no Hospital de Santa Maria. Sempre que a minha vida ocupada mo permite, passo pelo Paul nem que seja para olhar a ribeira e as ruas e praças de tão boas recordações.

Companheiro de tropelias de tantos bons amigos, que guardo na memória e no coração, alguns que não vejo há anos (O Zé Orlando, e os irmãos Nuno e Luis, O Zé Ramos Aparício, o Silva, a Leonor, a Mª Jose, o Álvaro Romão, Jorge Gravito) e tantos outros e outras.

A todos um abraço.

Virgílio
PS. Obrigado pelo seu depoimento.

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UMA AGRADABILÍSSIMA SURPRESA.

Foi com grande satisfação que descobri ao acaso em Wikipédia, a enciclopédia livre, a informação, a qual convido a visitar.

Esta página sobre a nossa Vila começa da seguinte forma:

Nota linguística:
A grafia Paúl é bastante frequente, mas está, no entanto errada. A palavra portuguesa terminada em -ul, tais como Raul, Saul ou Paul não carecem de acento gráfico. No entanto, existem várias excepções, entre elas, uma família nobre portuguesa chamada Paúl..”

Excelente forma de elucidar definitivamente todos sobre a forma correcta de escrever o nome da nossa Vila.

Sem grandes ondas, pompa e circunstância ou alarido, alguém contribuiu de forma exemplar para a publicação desta página já imensamente visitada. Na minha opinião esse “misterioso obreiro” está ligado directa ou indirectamente á Junta de Freguesia. Assim sendo e sempre na minha perspectiva, o meu muito obrigado não só pela pagina, mas por estar a contribuir para como numa recente postagem minha, (“SABER USUFRUIR DAS INFRA-ESTRUTURAS EXISTENTES.”), encontrar esta iniciativa positiva.

Concluo que a pagina ainda esta em construção, (não esquecer o brasão), mas todos podemos colaborar e engrandecer a mesma, já que mesmo assim sobressai em comparação com as outras que visitei.

Parabéns a Junta de Freguesia pela iniciativa e caso esteja errado apresento desde já as minhas desculpas.

Um exemplo a seguir.

Saudações Paulenses

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SURDOS,CEGOS E MUDOS.

SURDOS, CEGOS E MUDOS

“Estado atípico de quem confrontado com o pedido de uma opinião isenta e própria, fica sem qualquer reacção.”

Quando o pedido de intervenção é apolítico, apartidário, não tem ditos e desditos, não é escárnio e maldizer, é tão simplesmente contribuir na positiva para a construção de um futuro mais auspicioso do Paul e como temos que dar a nossa própria opinião, aquilo que sentimos, que queremos, enfim sermos NÓS… “IBERNAMOS”.

No mínimo é uma posição cómoda.
Saudações Paulenses
PS. Um abraço forte ao "pissarra" e junte-se ao blog.

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VALE A PENA?

Propositadamente seleccionei os textos seguintes referentes ao mês de Outubro e Novembro, por estes não terem qualquer cariz político/partidário e apenas e tão só laçarem a debate assuntos sobre o PAUL:

- Obras estruturais no Paul? Pois claro! (10 comentários)
- Impacto do hotel das termas de Unhais. (13 comentários)
- Um Paulense – José Marmelo e Silva. (11 comentários)
- Saber usufruir das infra-estruturas existentes. (2 comentários)
- Uma imagem vale mil palavras. (4 comentários)

Se analisarmos cuidadosamente os comentários a cada blog, concluímos que a maioria das intervenções obrigatoriamente têm cariz politico, partidário e em alguns casos sectário.

Na qualidade de colaborador do blog sinto-me absolutamente desmotivado a continuar, em virtude de concluir que os comentadores se situam numa área na qual há uma total falta de ideias próprias e isentas, não acrescentando nada ao debate. Não acredito que não possamos contribuir de um modo mais coerente no debate. Estes textos na minha perspectiva devem contribuir pela positiva para o PAUL, caso contrário, alem de uma perca de tempo da minha parte, o Paul já tem “tricas e dicas” suficientes.

Desculpem a minha sinceridade e agradeço os vossos comentários afim de decidir a minha continuidade.

Saudações Paulenses

PS. No final do blog encontram uma caixa dizendo “site meter” e fazendo clic acedemos ao relatório das visitas ao blog. Aqui o assunto passa a ser mais sério pois concluímos que a elevadíssima percentagem de visitantes e consequentemente intervenientes, são dos vários grandes centros urbanos e estrangeiro o que torna o meu cepticismo ainda maior e responsabiliza ainda mais (colaboradores e comentadores), para o rigor das intervenções em virtude da experiência de vida, obrigatoriamente estar acima do dia a dia da nossa Vila.

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UMA IMAGEM VALE MIL PALAVRAS

Pedaisdopaul
“Este blog destina-se a todos os duros que gostam pedalar com selim... Agora a sério, os PedaisdoPaul são um grupo organizado de amigos que pratica e promove eventos na área do cicloturismo (tanto na vertente BTT como na vertente Estrada). Este grupo esta inserido no Núcleo de Cicloturismo da A.P.C.D. (ASSOCIAÇÃO PAUL CULTURAL DESPORTIVO). O principal objectivo dos PedaisdoPaul é promover e desenvolver a prática do cicloturismo conciliando a amizade com o desporto na vila do Paul”


Numa Vila onde se pedala normalmente …


Esta nova modalidade é um exemplo…

Parabéns, grandes êxitos e principalmente obrigado pelo exemplo a seguir em todos os “terrenos”, pelos “proprietários” da nossa Vila.
Visitem em http://pedaisdopaul.blogspot.com/.

Saudações Paulenses

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SABER USUFRUIR DAS INFRA-ESTRUTURAS EXISTENTES.

O MUNDO A DISTANCIA DE UM CLIC.

Tendo em consideração a mais valia existente da Internet na Sede da Junta de Freguesia, custa-me aceitar que esta não seja explorada na sua real dimensão e sirva convenientemente os interesses da Comunidade.
Entre outras mais valias que podem ser postas ao dispor da comunidade, talvez a mais importante seja a comunicação com toda a Comunidade Emigrada.

A título de exemplo agradeço que acompanhem o meu raciocínio e usufruir na máxima capacidade imagem e som deste serviço:

1 - Já existem computadores, devidamente equipados.

2 - Necessário adquirir uma câmara que custa cerca de 40/50,00€, para obter imagem, consultar (www.worten.pt) por exemplo.

3 - Necessário adquirir um micro ou auscultadores que custam cerca de 5,00€ ou 20,00€ no segundo caso para não usar o aparelho fixo de telefone, consultar (www.worten.pt) por exemplo.

4 - Visitar a pagina (www.voipdiscount.com) ou outra, fazer o respectivo Download , registar-se e a partir deste momento pode ligar-se a qualquer ponto do mundo telefonicamente, via computador ou ambas por um preço simbólico.

Nota: Os carregamentos obrigatórios são de 10.00€ e têm uma validade de 120 dias. A titulo de exemplo uma chamada de 2 horas para o Brasil custa cerca de 0,20€ (isso mesmo vinte cêntimos). Isto tambem pode ser feito em nossa casa ou empresa.

Portanto se temos as infra-estruturas porque motivo não são exploradas convenientemente? Quantas famílias não irão usufruir desta mais valia e encurtar distancias? Hoje qualquer associação, família ou outrem têm acesso imediato a este serviço. Sera difícil pô-lo a funcionar no Paul já que nem é necessário criar mais infra-estruturas?

Com isto não pretendo fazer qualquer tipo de julgamento ou critica a Junta de Freguesia, apenas e tão só sensibilizar para o que temos e não usufruímos convenientemente, na minha modesta opinião. Certamente outras mais valias podem estar sub-aproveitadas.

Fica a reflexão.

Saudações Paulenses

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Em Tribunal? Porquê e Como?

Em www.paulvitorreissilva.blogspot.com encontrei o seguinte comentário que me parece pertinente e digno de partilha.

Se o mestre Gil Vicente fosse vivo, com a sua crítica mordaz ao poder estabelecido, iría preso no tempo do fascismo e agora iría para a barra do tribunal para pagar qualquer indemnização a quem se achou ofendido?

Existem semelhanças no comportamento de quem está no poder já que demonstra não saber viver com a critica real e, também, com a ficcionada.

Aqui fica para consulta, leitura e juízo de cada umhttp://www.covilhas.blogspot.com/

Parece que o Sr Carlos Pinto ensandeceu, concerteza. Só está a dar mais relevo a um blogue que já estava inactivo.

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O caso Chicken Charles


O Tribunal da Covilhã começou, esta quarta-feira, a julgar uma queixa-crime por difamação, calúnia e injúria movida pelo presidente da câmara local, Carlos Pinto, contra o alegado autor de um blogue na Internet.

Indiciado pelo Ministério Público como autor do blog "Chicken Charles - o anti-herói", em http://covilhas.blogspot.com, está David Duarte, de 29 anos, desenhador e residente na vila da Boidobra, junto à cidade, e que nega ser o autor do blogue.

Na sessão, o autarca declarou que os artigos publicados são a maior ofensa de que foi alvo em 20 anos de vida pública. «Quem não se sente, não é filho de boa gente» referiu o edil, ao justificar a acção judicial que moveu.

O site contém dezenas de artigos, publicados entre Maio de 2004 e Fevereiro de 2006, apresentados como as confissões de uma personagem designada de "Chicken Charles", o galo "que é Dono do Galinheiro da Quinta da Covilhã" e que "controla todas as galinhas".
Segundo a acusação, o correio electrónico do blogue chickencharles@iol.pt foi criado a partir do endereço IP do computador da casa de David Duarte, o que levou a que fosse indiciado pelo Ministério Público. A queixa-crime considera que os artigos representam um elevado "grau de ofensa na honra, prestígio e confiança" do presidente da câmara.

Carlos Pinto alega ter sido sujeito a situações de "vexação", sendo "motivo de todas as conversas, chacotas e cochichos", por causa do blogue.

No processo, Carlos Pinto pede uma indemnização "não inferior" a vinte mil euros e justifica o valor pedido por causa dos artigos "difamatórios sobre a vida privada e política" exibidos no blogue.

O edil diz ser acusado da "utilização de dinheiros e obras públicas para fins particulares", nomeadamente nos artigos intitulados "O casamento da minha franguinha" e "Os meus Amores".
Para Carlos Pinto, "a sistematização dos textos" revela "um objectivo preciso" de humilhação do seu nome "e não apenas uma brincadeira". Por outro lado, defende, a informação utilizada sugere que foram utilizadas fontes locais.

"Hoje há a tentativa de criar novos inquisidores, que na base do anonimato cobarde atribuem factos não provados a pessoas com funções públicas", referiu.

O autarca diz que o conteúdo do blogue lhe provocou problemas de saúde, mesmo ao nível físico.
As quatro testemunhas de acusação hoje ouvidas, disseram testemunhar o incómodo causado pelo blogue ao autarca e adiantaram acreditar que os artigos partissem de fonte ou fontes próximas da vida do município.

Apenas Luís Barreiros, vereador da Câmara da Covilhã, disse conhecer o réu, com quem já tinha reunido a propósito de trabalhos gráficos que aquele fez para a autarquia.

Joaquim Matias, também vereador na Câmara da Covilhã, disse não acreditar "que os artigos sejam obra de um só cérebro", acrescentando que "o nome do arguido só ultimamente veio à baila".

A defesa do alegado autor

No processo, a defesa alega que qualquer pessoa podia ter feito esses acessos, porque a ligação era partilhada e o réu "estava ausente da Covilhã na data em que foi criado o referido endereço.

A ligação à Internet em causa era partilhada por "amigos e familiares" que frequentavam a mesma casa e também com a casa de um primo, num andar inferior do mesmo edifício, sustenta.

Por outro lado, os registos são textos de ficção, cuja linguagem se centra num estilo contrário da utopia, a "distopia", lugar imaginário onde tudo é negativo.

A defesa refere ainda que o arguido não tinha motivos para criar o blog, pois "não tem qualquer conflito político ou pessoal" com Carlos Pinto, nem com a "qualidade que este detém enquanto presidente da Câmara da Covilhã".

Entre as testemunhas hoje ouvidas, o pai do réu encerrou a sessão e confirmou a tese da defesa, segundo a qual qualquer outra pessoa podia ter tido acesso à Internet através da ligação na casa em que o réu vive com os pais e um irmão.

Segundo referiu, aquela ligação é partilhada entre amigos e familiares que frequentavam a habitação e também por dois sobrinhos que vivem num andar inferior do mesmo edifício. "Para além dos filhos e dos sobrinhos, ainda há os amigos", disse.

O blogue em causa continua disponível e, segundo o contador disposto na página, já foi visto mais de 18 mil vezes.

A segunda sessão do julgamento está marcada para dia 21 de Novembro às 09:30.

(in Kaminhos)

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A ÁGUA É NOSSA


Abaixo-assinado contra venda da empresa municipal de águas
CovilhãDocumento já tem cem signatários e foi apresentado ontem. Os promotores gostariam de o entregar na autarquia até 4 de Dezembro
Um grupo de cidadãos da Covilhã exigiu ontem o “fim imediato” do processo de privatização da empresa Águas da Covilhã (AdC) apresentando os primeiros cem signatários de um abaixo-assinado que será entregue à autarquia. “A água é de todos! Não é um negócio só de alguns”, referem os subscritores do documento que será posto a circular em juntas de freguesia, escolas, estabelecimentos comerciais e fábricas.“O abaixo-assinado é a melhor forma de mostrar à Câmara a indignação dos covilhanenses”, disse Abel Pereira, professor do ensino secundário e primeiro subscritor do documento que contesta a venda de 49 por cento do capital da AdC. “Prosseguindo a política de venda dos recursos públicos e património municipal o presidente da Câmara e a maioria PSD que o apoiam preparam um passo gigantesco para a privatização da água”, lê-se no texto do abaixo-assinado.“Não há nenhuma razão, a não ser a ânsia de arrecadar alguns milhões de euros de imediato, que justifique a privatização da água”, acrescenta o documento. Apesar da autarquia manter 51 por cento do capital da empresa, no caso da alienação avançar, “a venda de 49 por cento não garante que o controle permaneça sob a responsabilidade municipal”, alertam os subscritores do documento. “Os custos ficam no sector público e os lucros vão para os investidores privados deixando de ser reinvestidos”, acrescentam. O primeiro passo para a venda do capital da empresa AdC foi dado no dia 18 com a apreciação da documentação entregue por cinco consórcios concorrentes que terão de apresentar até 4 de Dezembro o plano estratégico e proposta de preço para aquisição de parte da empresa.“Seria bom que até 4 de Dezembro tivéssemos reunido um número muito significativo de assinaturas que demonstrassem o descontentamento da população”, disse Abel Pereira, sem precisar que números pretendem ser atingidos e quando tencionam entregar o documento na autarquia. “Não temos uma data para isso”, disse Abel Pereira rejeitando que a iniciativa tenha qualquer conotação partidária, embora uma parte significativa dos subscritores esteja ligado directa ou indirectamente ao PCP: “Eu não tenho nenhuma ligação partidária”, referiu Abel pereira afirmando que “os movimentos cívicos integram cidadãos que podem ou não ter ligações partidárias. O mais importante não são os partidos, mas as pessoas e aquilo que defendem”, concluiu.
Comunistas entre os primeiros cem subscritores O presidente da União de Sindicatos de Castelo Branco, Luís Garra, e o líder da CDU na Assembleia Municipal da Covilhã, Jorge Fael, integram o grupo dos primeiros cem signatários do abaixo-assinado. Entre os subscritores encontram-se ainda Carlos Gil, deputado da CDU na Assembleia Municipal da Covilhã, Aníbal Cabral, presidente da Associação Florestal da Beira Interior, recentemente criada, Dulce Pinheiro do Sindicato de Professores da Região Centro e Armando Morais, actual coordenador do Centro de Trabalho do PCP, na Guarda. Da lista, faz ainda parte o arquitecto Hélder Pereira, antigo militante da secção do PS na Covilhã e que, nos últimos anos, tem surgido em várias iniciativas da CDU.
Diário XXI 07 de Nov. 06
O Hermínio

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Gestão Autárquica. O Despesismo e a venda de património público - a água.

Dívidas.

Quando o Pinto entrou para a Câmara - 1º mandato (1990) a dívida da Câmara era de 800 mil contos à EDP. O Pombo recebeu uma dívida de 3 milhões.

O Pinto recebeu a dívida de três milhões (1998) e já vai em 18 milhões.

Se se somar a receita anual (cerca de 5 milhões de contos, em média) o Pinto utilizou 58 milhões de contos. Onde estão?

É Obra!

Não é de admirar que apareça, na lista nacional, como a 3ª Câmara mais endividada, sem capacidade financeira.

Por isso, pretende vender a àgua, de todos nós.

Venda o seu (dele) património, olha o malandro.

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Um Paulense - José Marmelo e Silva


Um Paulense a descobrir por todos nós.

Afinal de contas o Paul também tem "gente ilustre". Após alguma pesquisa descobri que a Srª Glória, do Café Central, é irmã deste escritor.

José Antunes Marmelo e Silva nasceu a 7 de Maio de 1911 em Paul, Beira Baixa.

Estudou no Seminário do Fundão e em escolas secundárias de Covilhã e de Castelo Branco. Frequentou a Universidade de Coimbra mas, devido à publicação de Sedução, teve de concluir a licenciatura (em Filologia Clássica) na Faculdade de Letras de Lisboa onde apresentou uma tese sobre Virgílio � Um sonho de paz bimilenário: a poesia de Virgílio. Colaborou no semanário lisboeta O Diabo, com o pseudónimo Eduardo Moreno, e na revista presença, de Coimbra, cidade em que conviveu com o grupo neo-realista. Prestou serviço militar em Mafra e na Madeira. Fixou residência em Espinho (onde leccionou na Escola Secundária) até à data da sua morte, em 11 de Outubro de 1991. Foi agraciado, em 1987, com a medalha de ouro da cidade de Espinho. Com o grau de Comendador da Ordem de Mérito, foi condecorado pelo então Presidente da República, Dr. Mário Soares, em 1988.
Outras ligações sobre o autor:

José Marmelo e Silva novelista: 50 anos depois
OBRAS:

O Homem que Abjurou a Sociedade � Crónicas do Amor e do Tempo, O Raio, 1932 (Renegado).
Sedução, 1� edição, Coimbra, Livraria Portugália, 1937; 2� edição, Porto, Portugália, 1948; 3� edição, Lisboa, Estúdios Cor, 1960; 4� edição, Lisboa, Editora Ulisseia, 1972, ("com um ensaio histórico-analítico "de Arnaldo Saraiva); 5� edição, Lisboa, Editorial Caminho, 1989 (com um ensaio de Arnaldo Saraiva publicado a primeira vez na 4� edição).

Depoimento, 1� edição, "Presença", n�. 1, série II, Novembro de 1939; 2� edição, in Os Melhores Contos Portugueses, Porto, Portugália; 3�edição, in O Sonho e a Aventura, Coimbra, Atlântida, 1943; 4� Edição, Lisboa, Col. Mosaico, s.d. 5� edição, in Os Mais Belos Contos de Amor da Literatura Portuguesa, 1967
O Sonho e a Aventura, 1� edição, Coimbra, Atlântida, 1943, (contos Narrativa Bárbara, Depoimento, O Conto de João Baião); 2� edição, Lisboa, Editora Ulisseia, 1965, (contos Narrativa Bárbara, Depoimento, Ladrão!)
Adolescente, 1� edição, Coimbra, Portugália, 1948; Adolescente Agrilhoado 2�. Edição (acrescentada), Lisboa, Arcádia 1958; 3� edição, Lisboa, Editora Ulisseia, 1967; 4� edição, Lisboa, Editorial Caminho, 1986, (com prefácio de Maria Alzira Seixo) � retirada do mercado; 4�/5� edição, Lisboa , Editorial Caminho, 1986.
O Ser e o Ter seguido de Anquilose, Lisboa, Editorial Ulisseia, 1968 (a primeira versão de O Ser e o Ter é O Conto de João Baião).
O Ser e o Ter, Lisboa, Editora Ulisseia, 1973
Anquilose, Lisboa, Editora Ulisseia, 1971
Desnudez Uivante, Porto, Limiar, 1983

PROGRAMAS NA RTP SOBRE JOSÉ MARMELO E SILVA:
"O Livro à Procura do Leitor", de Manuel Poppe, 22 de Fevereiro de 1972; "A Ideia e a Imagem", de Álvaro Manuel Machado, 27 de Junho de 1978; "O Homem é um Mundo", texto de Rogério Rodrigues, realização de Leonel Brito.

JOSÉ MARMELO E SILVA O LIBERTADOR DO AMOR
Urbano Tavares Rodrigues
Com o mesmo projecto político dos escritores neo-realistas, que inicialmente acompanhou, José Marmelo e Silva foi, entre eles, desde Sedução, novela publicada no final dos anos trinta, uma irrefreável afirmação de subjectividade. É a força do desejo, filtrada pelas palavras, a par da observação aguda e inclemente do meio, que lhe permite estruturar personagens que ainda hoje comunicam com o leitor e nele se concretizam, se prolongam.
O gineceu conimbricence transposto para a aldeia vibra de uma sensualidade reprimida, que se atraiçoa na atmosfera hipócrita do apogeu fascista, o início da Guerra de Espanha. Eduardo é o jovem fauno castrado pelo irmão, sôfrego do prazer que à sua volta, rodeado de mulheres, não encontra.
E novamente o desejo, a tentação, o despertar do desejo, palpita nas páginas tão belas de Adolescente Agrilhoado, o grande, o insuportável romance da adolescência da década de quarenta em Portugal, obra sensível onde se nos mostra já com um certo toque mágico e mítico, o mundo áspero dos pobres e o seu trabalho, as suas superstições, febres, amarguras do crescer no seio da família e do microcosmo rural. Os caminhos que se abrem e se fecham para um jovem intelectual de origem camponesa.
A libertação do sexo processa-se na narrativa que paradoxalmente se chama Anquilose e que é de explosão, irónico, cáustico e ao mesmo tempo triunfal, um texto que nos dá conta de amores vários, vividos em euforia, em exaltação juvenil, e que se torna sátira social e política e seria mesmo panfleto revolucionário se o humor permanente, ao nível do acontecer e ao nível da escrita, não corrigisse o entusiasmo, a vibração com que por vezes os ideais socialistas neles se expressam.
O Ser e o Ter, O Sonho e a Aventura, Desnudez Uivante, onde o hiper-realismo quase toca o fantástico, são noutros cenários, noutros tempos, exemplos do mesmo acto de escrever, do mesmo cântico à via, ao amor e à esperança.
In Letras & Letras, 5/3/89
O SAGRADO E O CÓSMICO
Baptista-Bastos
Sedução tem meio século. Releio (quantas vezes reli?) essa ficção pausada e lenta, terna e amena, áspera e dilacerante que José Marmelo e Silva redigiu (compôs), e que deixou de lhe pertencer em sistema de exclusividade porque faz parte do território colectivo (selectivo) onde se ordenam as grandes obras-primas da literatura portuguesa de sempre.
Obra-prima, repito. Porque convida a aprender a universalidade da alegoria, para além da diversidade das alegorias. Porque é a obra de um autor; e um autor é sempre alguém que possui uma voz própria, inimitável, que não deixa discípulos e só lega situações epigonais; porque tange em sentimentos e situações extremas conservando um intenso respeito e uma profunda discrição; porque a estrutura verbal de que se serve teria de ser, necessariamente, aquela � nunca outra.
A obra deste escritor discreto, relator ficto do corpo, o corpo entendido como liberdade ou como experiência do sagrado � obra deste escritor maior possui algo de religioso, de valores e de implicações cósmicas, e nela avulta esse profunda relação causal entre a matriz e o crescimento, entre amor e morte, entre Eros e Thanatos. As analogias existentes entre o acto de escrever e a humilde coragem de publicar reverte� -nos para a exploração (para a interpretação e para a leitura) de que a obra-de-arte (esta obra-de-arte) pretende a incorporação no divino. Nada, em Sedução; nada em O Adolescente Agrilhoado, por exemplo, nos pode levar a afirmar que o seu autor acredita em seres antropomórficos, em deuses. Mas tudo nos leva a crer que José Marmelo e Silva admite o território do sagrado, as áreas do mito, os distritos onde se antagonizam céu e inferno. Todavia, mesmo aí, José Marmelo e Silva manifesta um reiterado pudor. O pudor que implica a rejeição da linguagem denotativa, afirmativa, exclamativa e peremptória. O sentido transitório da existência conduz-nos à reflexão sobre a transcendência. Se, como pretendia Artaud, quando se escreve refazemo-nos, para nos desfazer, José Marmelo e Silva escreve para atingir a consciência do infinito, do absoluto � metas privilegiadas de todo o grande autor.
Respeito, amo e admiro as novelas deste homem singular, até pela singularidade (raríssima entre nós) do seu propósito e do seu majestoso empreendimento literário. Um grande escritor, como José Marmelo e Silva, não é medível. Pode, talvez, ser mensurável, através da sua própria desmesura. E como nele não há excesso (excesso de palavras, excesso na composição, excesso nesse equilíbrio entre o antigo e o moderno) eis porque, sem estratégias de glória, sem tácticas imediatas, e precárias porque efémeras, de marquetingue � eis porque é um clássico e, a um tempo, um contemporâneo.
In O Diário, 23/5/87
REFERÊNCIAS CRÍTICAS À OBRA DE JOSÉ MARMELO E SILVA
Sedução decorre num ambiente misto de realidade fortemente expressa em dedadas brutais que desnudam, e de irrealidade, daquela irrealidade com que se oferece o desenvolvimento de certas obsessões que parecem aspirar toda a demais experiência, fazê-la participar da obsessão. E há depois o originalíssimo estilo em que uma constante ironia impede, corta, destrói as insinuações sentimentais. A conjunção destas qualidades dá à novela um sabor muito original e uma densidade que é precisamente o mais invulgar em novelas portuguesas, que pecam, quase sempre, por uma unilateralidade, por uma pobreza de meios de expressão, que não são do que menos contribui para a falta de interesse que despertam.
Adolfo Casais Monteiro
Se Fialho de Almeida era erótico, era-o entes de mais em função da avalancha verbal, que o impedia de uma visão social lúcida. Se Teixeira Gomes era erótico, o seu erotismo ficou empequenecido pelo rigor miniatural da sua prosa, que se compraz no apontamento mundano, na fantasia memorialística. Já Marmelo e Silva, com ser erótico, é fundamentalmente socialista e as personagens das suas novelas, nomeadamente de Sedução, desdobram-se em todas as dimensões humanas, nascidas de um estilo terso e inconsútil, sempre dominado.
Álvaro Manuel Machado
Wilhelm Reich, que criou a célebre associação S.E.X.P.O.L em 1939, dois anos depois da publicação de Sedução, teria sem dúvida gostado de ler esta novela de Marmelo e Silva. E se nos fins da década de trinta surgiu em Portugal um movimento literário neo-realista, e se esse movimento quis levar conscientemente, expressamente, a literatura para fora dela mesma, então teremos que considerar Sedução como a primeira obra autêntica ( e de qualidade) incorporável nesse movimento. Justamente por aquilo que terá levado alguns a excluí-la (para lá, bem entendido, das batalhas pela camisola amarela): a descrição (e subtileza) com que a realidade social nela é nomeada, que é também garantia da força anti-demagógica com que ela é sugerida, e desvelada nas suas máscaras psicológicas e sexuais.
Arnaldo Saraiva
Ainda hoje, não obstante todos os anos decorridos, Sedução continua a ser um livro de combate, um livro indisciplinador. Não pela escabrosidade do tema � aliás tratado com uma delicadeza e uma finura inexcedíveis, quando tão fácil (e tão comercial...) era ceder à tentação do obsceno -, mas pelo carácter insólito da análise, que progride por pequenas deslocações laterais, por iluminação de planos sucessivos, e não, como é corrente, por um mergulho vertical, pela sobrecarga de minúcias psicológicas que, habitualmente, fazem da personagem literária um monstro, inviável fora das páginas do livro. E o estilo? O maior bem que dele se pode dizer é que outro não serviria melhor o Autor. Ao mesmo tempo usual e castigada, a sua linguagem parece ter sido decantada de maneira algo bizarra: aceitando muito do que se exclui, excluindo muito do que se aceita, o resultado final é um estilo que não tem similar em Portugal.
José Saramago
Não é assim por acaso, mas a poder de mestria, contenção, alternância de planos, insurreição e recriação mítica, identificação do tema com a experiência, integração do saber herdado no plano temporal duma estética em devir, adequação da obra criada nos limites intuídos e consciencializados do autor, que Adolescente Agrilhoado é não só uma das obras-primas da nossa literatura, mas o mais belo romance da adolescência que até agora se escreveu entre nós.
Mário Sacramento
O autor de Sedução, O Sonho e a Aventura e Adolescente Agrilhoado é um ímpar na corrente neo-realista, pois representa o pólo (ou o contaste) psicologista da mesma, ou seja, pôs o acento tónico na reacção individual às estruturas sociais mais do que levantou o inventário "objectivo "das mesmas. Essa singularidade aumenta o seu valor histórico, se bem que terá determinado um conflito latente, oculto, entre Marmelo e Silva e a sua geração.
Também pelo cuidado, o entusiasmo, com que trabalhou a prosa, afeiçoando-a ao intimismo que tomou por objectivo detectar, Marmelo e Silva se distinguiu com vantagem da maioria dos escritores da sua geração, sendo daqueles �ao lado de um Manuel da Fonseca e um Carlos de Oliveira � que mais se preocupam com a qualidade da escrita.
Nuno Teixeira Neves
Verdadeiro esteta, não se embriaga contudo com o maravilhoso das palavras. Por detrás de cada frase está presente o escritor lúcido, o homem atento ao mundo que o rodeia, o contador excelente de histórias sabendo perfeitamente a grandeza e a função daquilo que se conta. E isto torna, talvez, José Marmelo e Silva um escritor ímpar entre nós. Não conheço, com efeito, quem tenha sabido unir de forma tão perfeita o estilo e a temática.

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